segunda-feira, 18 de julho de 2011

Académico Futebol Clube, Um Século na Vida Portuense



Como já tiveram oportunidade de verificar falamos do último livro do Professor Helder Pacheco apresentado no dia 29 de Junho na Fundação Engº António de Almeida.

No prefácio, Francisco Ribeiro da Silva diz-nos:
Se a minha fonte de informação não me enganou, o presente livro é o 44º que Helder Pacheco publica em pouco mais de 25 anos. Este, para além de ser um dos mais volumosos (cerca de 520 pp) , julgo que é um livro diferente dos anteriores e igualmente marcante. Porquê? Porque o seu conteúdo é peculiar, novo e muito rico de informações e, por outro lado, porque pelas suas páginas desfilam centenas e milhares de pessoas que não são apenas figurantes mas actores, verdadeiros construtores do Académico Futebol Clube, uns em cargos de direcção e de trabalho administrativo mas muitos mais como atletas das múltiplas modalidades. Muitos deles felizmente ainda estão vivos e poderão reencontrar-se consigo mesmos no livro. Mas tendo o Clube completado cem anos, é natural que outros já tenham partido. Destes resta a Glória e a Saudade mas sobretudo a Memória que assim fica perpetuada.

E sobre o que mais lhe chamou à atenção podemos ler:

1ª) Este livro confirma-nos a ideia da enorme generosidade dos homens do Porto e da sua fantástica capacidade de dedicação a grandes causas. Neste caso é o desporto, ou melhor, é criação e a manutenção secular de uma Associação cuja finalidade foi e é a promoção do homem e da mulher através da prática desportiva. O objectivo primário e prioritário da formação e da educação da juventude através do desporto, nas suas diversas modalidades, é persistente e reassumido ao longo das dez décadas retratadas neste livro e das gerações de dirigentes que se sucederam, sendo verdadeiramente uma marca da instituição.
Esta capacidade bem portuense de entrega a uma causa, em rigor não é para mim uma novidade. Estudioso (recente) das Irmandades e Ordens Terceiras, não me faltam aí bons exemplos desse altruísmo. Mas nas Ordens e Irmandades há uma motivação de raiz religiosa e, por isso, essa generosidade será, de algum modo, espectável. No caso deste Clube, como no caso da Associação do Hospital de Crianças Maria Pia (cujo estudo me ocupa presentemente), a motivação é puramente humanista e humanitária. (…)

2ª) Percebi ainda que no Académico sempre se incrementou, valorizou e premiou o sucesso desportivo, mas nunca ninguém exigiu a vitória a qualquer preço. E quando acontecia que os atletas se portavam de forma indisciplinada dentro de campo, não raro o castigo imposto pela Direcção era mais pesado do que o das autoridades desportivas.
Ou seja, o fanatismo cego e avesso à ética que não olha a meios para atingir os fins, não consta dos anais da história secular deste Clube e, por certo, não consta do modo portuense de estar na vida. Permitam-me que valorize aqui um documento da direcção que preparou e projectou a época de 2007/2008 (e as seguintes). Porquê? Porque nesse documento se aponta como objectivo principal o aumento da qualidade da formação dos atletas, incluindo princípios exigentes de conduta pessoal e de bom desempenho escolar.

3ª) Por outro lado, o Académico foi uma Associação sempre aberta à sociedade e disponível para ceder as suas instalações desportivas, independentemente do credo político ou religioso de quem as solicitava e até a clubes rivais. Se muitas vezes cobrou alguma compensação, como era compreensível, dado o estado sempre precário das finanças internas, frequentemente a autorização foi dada a troco de nada. (…)



 Academico Futebol Clube 1948


Por outro lado, o Académico colaborou à sua maneira com instituições de solidariedade social, ora abrindo as suas portas aos miúdos desprotegidos que os Asilos acolhiam, ora promovendo a angariação de fundos para obras de solidariedade ou de utilidade social. Cito entre outras o Asilo de São João, a Maternidade de Júlio Dinis, a Colónia Infantil do Jornal «o Século», (organização de um desafio de futebol Porto-Arsenal), as vítimas das cheias do Douro, a liga contra a tuberculose, a liga contra o cancro e até apoio à «Finlândia Mártir» como se dizia na época em cujo favor o Académico organizou um Porto-Benfica.
Disponibilizou repetidamente à Universidade do Porto os seus pavilhões, o seu estádio, as suas pistas de atletismo. Isto antes e depois de ter sido construído e inaugurado o Estádio Universitário, em 1953. Aliás, ainda recentemente, as Faculdades de Economia e de Engenharia recorreram ao Pavilhão do Académico, porque, na verdade, a Universidade carece ainda de espaços para a prática desportiva.

 4ª) As relações do Académico com as instituições públicas e privadas preenchem muitas linhas deste volume, como era de esperar. De entre as privadas, sobressai a Santa Casa da Misericórdia do Porto cuja presença constante flui do arrendamento da Quinta do Lima, em 1923, e do aluguer do Palacete em 1927, que haviam sido doados em 1919 à Santa Casa pela benfeitora Luzia Joaquina Bruce, uma senhora brasileira, natural do Maranhão, companheira e herdeira de João António Lima, (+1891), brasileiro rico de torna-viagem que deu o seu nome à Quinta, ao estádio e à Rua que o ladeia pelo norte. (…)

Mais uma página da historia da cidade em forma de livro das mãos do Prof. Helder.

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