quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Lourdes Costa e Cesário Guedes da Costa




Cesário Guedes da Costa e Lourdes Costa, alunos do Instituto Cultural D. António Ferreira Gomes, são dois artistas muito especiais que vale a pena conhecer. Antes da grande entrevista que estamos a preparar vamos conhecer alguma da sua produção.

Do livro de poemas “Lua enevoada” de Lurdes Costa escolhemos um poema

FOI A MÚSICA...

Ao longe, suave música escutava
E sentia não sei o quê dentro de mim.
Recordando a tua voz sonhava
E fiquei, quieta e muda, assim.

A melodia suave se elevava
Mas trepidante e banal se tornou enfim.
Com tristeza senti que já não lembrava
A tua voz terna falando para mim.

Calou-se de todo essa música que ouvia
E foi-se também a exaltação
Que durante um momento sentia.

Por instantes tive a sensação
Que te amava, desejava e queria
ler junto do meu teu coração.



Do livro Memorias da memória de Cesário Costa podemos ler no No prefácio, escrito pelo professor Helder Pacheco:

“Porque, no final das contas, o que Cesário Costa nos diz na simples história de um mundo com gente dentro é que, se quisermos salvar o essencial deste país agredido, teremos de começar de novo, reinventando as utopias, refazendo as cidades, redescobrindo a Natureza, reencontrando o olhar e os gestos essenciais. Para que não possa continuar a ser possível uma' realidade como a descrita nesta frase tão dolorosa quanto bela, rematando o livro com um soco na consciência (de quem ainda a tiver): «Os pampilhos amarelos que cobriam os campos que conheceste, prenunciando a Páscoa, foram substituídos por prédios...»”

Agora um excerto da Obra onde memoria de vida e a História de Portugal se entrecruzam na perfeição.

“Em 1958, trabalhava ainda na oficina da Rua de Entreparedes, decorreu a campanha para as eleições do novo Presidente da República. Concorriam três candidatos: General Humberto Delgado, o democrata Arlindo Vicente e o Almirante Américo Tomaz, conotado com o regime vigente. Um dia, quando saía do trabalho, havia burburinho na Praça da Batalha. As pessoas vinham a correr, esbaforidas, pelos lados da Rua de S. António (R. 31 de Janeiro) e dirigi-me para lá, para satisfazer a minha curiosidade. Ao chegar à Casa Janota, quase à entrada da Rua de Santa Catarina, estavam vários polícias. Um dos guardas, de c a s seteie na mão. não me deixou avançar mais: - Circula, circula! - gritava ele. Eu bem queria circular mas ele não deixou, empurrando-me para trás com o "chanfalho". Comecei a aperceber-me que algo de anormal se estava a passar, mas não percebia bem o quê. Via os cartazes colados na Messe dos Oficiais com a figura de Arlindo Vicente, mas só se ouvia falar em Humberto Delgado. Ouvi dizer que na Praça da Liberdade era um verdadeiro pandemónio. Fui pela Rua de Cimo de Vila abaixo. Rua do Loureiro e cheguei à Estação de S. Bento. Pude ainda ver o alvoroço: carros da Polícia com jactos de água para cima da multidão, pessoas a correr de um lado para outro e a serem perseguidas. Subi a Avenida da Ponte e tomei a camioneta na Rua de Saraiva de Carvalho.”

Sendo a produção literária apenas uma das actividades deste casal, vamos aguardar pelo testemunho em forma de entrevista para os conhecermos melhor. Para os espíritos mais curiosos podemos dizer que ambos usam o facebook para divulgar as suas produções e têm um site no youtube com video-poemas.


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